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As quatro estações das adolescentes

As quatro estações das adolescentes

02
Out25

Tag // Séries

As séries permitem-nos descontrair, rir e refletir sobre temas fundamentais. Prefiro as séries aos filmes porque nos permitem envolver num outro universo de uma maneira mais profunda, conhecemos e agarramo-nos melhor às personagens. Por isso, hoje trago-vos uma tag sobre o quê? Séries!

TAG  Séries.png

1. A última série que assisti.

Uma Advogada Extraordinária. É uma série sul-coreana sobre uma advogada autista. Aprendi imenso sobre o autismo, nunca tinha visto uma série sobre este tema, e também sobre a cultura corena. Era um pouco estranho para mim, europeia, vê-los a cumprimentarem-se sempre com uma vénia, por exemplo. Confesso que de ver a série fiquei com vontade de aprender coreano ahah O único senão desta série é os episódios terem mais de 1 hora (acho que é típico na Coreia) Tem só 1 temporada, super redondinha, mas adorava que tivesse mais uma!

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2. A série favorita de todos os tempos.

Anne with an E. Já vi várias séries depois desta e continua a ser *a* favorita <3 Baseia-se num livro do início do século XX, situa-se no fim do século XIX e é sobre dois irmãos velhotes que querem adotar um menino, mas vem uma menina, a Anne. Aborda temas, tais como a homossexualidade, o machismo e o racismo da sociedade do século XIX, assim como o genocídio dos indígenas no Canadá. Se quiserem ver a minha opinião mais a fundo sobre esta série, vejam esta publicação que escrevi há alguns anos sobre ela. 

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3. A série mais antiga que assisti.

Prison Break. Foi a primeira série que vi. Lincoln é condenado à morte por um homicídio que não cometeu, então o irmão tatua o mapa da prisão e comete um assalto para ir parar à mesma prisão e fugirem os dois. Tem muitos plot twists e imensas temporadas, então têm entretenimento para muito tempo.

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4. Uma série de infância.

Jessie. Foi a primeira série do Disney Channel que vi! A Jessie vai para Nova Iorque com o sonho de ser atriz e acaba por se tornar babysitter destes miúdos (porque os pais decidiram adotá-los e cagar neles).

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5. A série que recomendo a toda a gente.

One day at a time. É uma sitcom que retrata uma família cubano-estadunidense - avó, mãe e os dois filhos adolescentes. A Elena (a mãe) é enfermeira e esteve na guerra do Afeganistão, então tem stress pós-traumático. Aconselho a toda a gente, porque é uma comédia que dá para rir - o que eu me ri com "Where's grandma?", "She's with Jesus" seguido de um olhar horrificado (está na igreja, não morreu ahah) - ao mesmo tempo que trata de assuntos sérios e importantes, tais como o alcoolismo, a imigração, a xenofobia, o racismo e a homofobia. O que eu me rio com a Lidia (a avó) não é descritível. Já vi alguns episódios *várias* vezes, não me canso. E é incrível como uma avó super católica consegue aceitar a neta lésbica em segundos, usando a própria religião para a aceitar <3 E dá para ver pela imagem abaixo que ela tem *muito* orgulho em ser cubana ahah (estava simplesmente a ver o neto a jogar futebol).

one day at a time 1.gif

6. A série com o melhor figurino.

Anne with an E. É uma série de época e tem vestidos lindos. Vejam-nos por vocês mesmos:

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7. A série em que viciei.

Only Murders in the Building. Três vizinhos aficionados por podcasts de true crime criam o seu próprio podcast de true crime (Only Murders in the Building) quando há um homicídio no seu prédio de NY. É uma série de crime e mistério sobre homicídios, mas com o twist de eles terem um podcast - dois velhotes (um ex-ator e um produtor de teatro) e uma jovem! É muito engraçado como eles lançam os episódios do podcast com as suas suspeitas enquanto ainda não há um assassino descoberto, e como a própria polícia pede a ajuda deles ahah Em cada temporada há um homicídio e na última temporada temos também o tema do cinema - Hollywood decide fazer um filme sobre estas personagens. Adoro esta série, é super viciante porque queremos sempre saber o que vai acontecer a seguir, quem é que são os assassinos. Gosto muito desta complementariadade de termos protagonistas idosos e uma jovem (se bem que a jovem tem uma alma velha ahah).

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8. A personagem favorita de todos os tempos.

Anne Shirley-Cuthbert, de Anne with an E. Identifico-me bastante com ela - ambas somos curiosas, tagarelas, argumentativas e criativas. É uma personagem incrível e a atriz fez um ótimo trabalho. Caso queiram saber mais sobre esta personagem, vejam esta tag que fiz sobre a minha personagem preferida.

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9. Uma série que toda a gente gosta e eu não.

Wednesday. Achava que ia gostar, vi os primeiros episódios e detestei. Mas pelo menos o marketing da série é ótimo ahah

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10. Uma série portuguesa.

Vou dizer-vos três.

Velhos Amigos. Vi esta série quando era criança e adorava. É sobre 3 velhotes amigos e as suas aventuras. Pelo que me lembro, era muito engraçado.

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Conta-me como foi. Qual é o português que nunca ouviu falar nesta série? Mais uma vez, vi quando era criança e adorava. É uma série de época sobre uma família portuguesa nos anos 60 e 70. Vi no ano passado todas as temporadas antigas. Quando cheguei a casa do meu primeiro exame da faculdade em janeiro, decidi ver alguma coisa na televisão e acabei por ver esta série, que tinha dado na RTP Memória. Tornou-se o meu ritual de pós-exame ahah Depois infelizmente comecei a ficar muito sobrecarregada com a faculdade no segundo semestre e não consegui ver as temporadas mais recentes que se passam nos anos 80 - vi só uns episódios, e apesar de estar boa não tem a essência das temporadas antigas :(

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Maternidade. Tal como diz precisamente o título, é uma série da RTP sobre uma maternidade privada. Acho que tem duas temporadas e a atriz principal é a Lúcia Moniz. Eu vi-a mais ou menos na minha pré-adolescência depois de almoço na RTP e gostava imenso. Abordava o problema dos hospitais privados quererem apenas o lucro e fazerem cesarianas desnecessárias com o único objetivo de ganhar dinheiro. Também me lembro de um episódio em que uma sem-abrigo chegou ao hospital e precisava urgentemente de cuidados médicos e o hospital queria que esperassem por uma ambulância que a levasse para um hospital público, mas a personagem do José Fidalgo tratou da grávida e fez-lhe o parto, estando a desobedecer aos seus superiores e correndo o risco de ter de pagar o parto.

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11. A série que foi cancelada e que gostava muito.

Além de Anne with an E, que é óbvio, Coisa Mais Linda. Foi cancelada com apenas 2 temporadas e um gancho no final... É uma série de época brasileira que se situa nos anos 50 e 60 no Rio de Janeiro. MaLu é abandonada pelo marido, que lhe rouba o seu dinheiro e foge com a amante, e decide criar um clube de bossa nova. Temos 4 incríveis protagonistas femininas - Thereza, Lígia, MaLu e Adélia. Aborda temas tais como a violência doméstica, a desigualdade salarial e o racismo. Aconselho imenso, foi a primeira série brasileira que vi. A banda sonora tem muita bossa nova.

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12. Uma série sobre a minha futura profissão.

Family Law. É uma série canadiana sobre uma advogada alcóolica que depois de uma noite de copos para fugir dos seus problemas, vomita em cima do seu cliente durante a audiência em tribunal, o que se torna viral nas redes sociais. Para continuar a exercer a advocacia é obrigada a trabalhar no escritório do seu pai, do qual estava afastada há muitos anos, e conhece os seus meios-irmãos. Cada episódio se foca num caso de Direito da Família, com temas desde a eutanásia à terapia da conversão e aos direitos parentais de pessoas com deficiência. A nova temporada estreou este ano, e ainda não vi. Por uns meses achei que tivesse sido cancelada, mas felizmente isso não aconteceu! (já chega de ver só séries canceladas). Acho que vai ser giro ver a nova temporada depois de já ter tido Direito da Família na faculdade eheh A irmã da protagonista é psicóloga clínica no escritório de advogados, então essa perspetiva também é interessante!

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13. Uma série de época.

Derry Girls. É uma comédia sobre 5 adolescentes a viver nos anos 90 na Irlanda do Norte, quatro raparigas irlandesas e o primo da Michelle, um inglês. A série é muito engraçada (inclusive a freira da imagem ahah), ri-me imenso a ver esta série! Vi as primeiras temporadas quando estava fechada em casa com covid e foi a minha "cura" ahah Já vi alguns episódios mais que uma vez, é muito divertido!

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14. Uma série passada num país muito diferente.

Xo Kitty. É um spin-off de "To All of the Boys I've Loved Before" (mas eu nem vi o último filme da sequela). A Kitty, meia-estadunidense, meia-coreana, decide fazer um intercâmbio na Coreia do Sul para se conectar com a sua mãe (que já morreu) que era coreana e estudou naquela escola internacional quando era nova, além de fazer uma surpresa ao seu namorado coreano. Adorei esta série, foi recentemente renovada para mais uma temporada. A série tem cenas em inglês e em coreano, gosto muito de ver a jornada da Kitty num país tão diferente como a Coreia e a descobrir mais coisas sobre a sua mãe e a sua família. Inclusive consegue unir a sua família novamente que estava separada há décadas! 

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15. Uma série estilo telenovela.

Jane, the Virgin. É uma série sobre Jane, mexicana-estadunidense, que apesar de ser virgem engravida devido a uma inseminação artificial acidental (a médica tinha descoberto que era traída, então estava emocionalmente perturbada e engravida a mulher errada). É uma série sobre uma família mexicana, portanto tem imensas vibes de telenovela, além do pai da Jane ser ator de novelas. O drama e os plot twists são muito noveleiros ahah Gostei também imenso da Petra e da evolução psicológica da personagem.

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16. Já ficaste triste com o final de alguma série?

Dead to Me. Socorro. Chorei tanto com o final da série. Nunca chorei tanto com uma série. Tem um final triste, eu vi o último episódio no meu querido sofá à noite e chorei imenso. O meu pai eventualmente chegou à sala e viu-me a chorar horrores ahah E eu a ter de explicar que estava só a chorar por causa do raio de uma personagem fictícia ahah? De qualquer das formas, é uma série maravilhosa, recomendo imenso verem se tiverem estomâgo para aguentar aquele final. Apesar disso, é uma comédia negra - Jen e Judy conhecem-se num grupo de luto após Judy perder o seu marido num atropelamento e fuga. Adoro a amizade delas! Arriscaria a dizer que é a melhor amizade do universo das séries. Há imensos segredos (conhecemos o primeiro no fim do primeiro episódio), plot twists e a frase "I have to tell you something" está em toda a série (se virem percebem o que quero dizer). É uma comédia, portanto dá para rir imenso! A série aborda a morte (como é óbvio), abortos espontâneos, cancro e infertilidade. A Christina Applegate (atriz que interpreta a Jen) tem esclerose múltipla, e gravou a última temporada já com esta terrível doença :( Por vezes ela nem sequer conseguia estar de pé, mas conseguiu gravar a última temporada, como queria, e não se nota nada que infelizmente há este problema por trás. Espero que ela consiga viver o melhor possível, dentro das terríveis circunstâncias.

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17. Se pudesses mudar o final de alguma série, qual seria e como seria?

As telefonistas. É uma série de época espanhola que se passa nos anos 20 (já deu para perceber que gosto de séries de época?). Abre uma Companhia Telefónica que emprega todas as protagonistas. Esta série aborda temas tais como o machismo, o direito de voto das mulheres, a violência doméstica, a violência policial contra as feministas, a bissexualidade/transexualidade, a terapia da conversão e as consequências da evolução da tecnologia para as mulheres trabalhadoras (positivamente e negativamente). A série foi denegrindo um pouco nas últimas temporadas e tem um final triste e trágico. (Preparem-se obviamente para os spoilers, se não quiserem ler passem à próxima pergunta). A série começa com os anos 20 e acaba com a Guerra Civil espanhola. Do que me lembro (já vi há alguns anos), as protagonistas tentam fugir da Espanha franquista para a América Latina, mas são assassinadas :(  Elas entregam-se à morte para salvar as vidas dos outros refugiados. Tem uma mensagem simbólica de como tantas feministas abdicaram das suas vidas para que nós pudéssemos viver hoje num mundo mais progressista, onde as mulheres têm os seus direitos (em alguns países...). Ao mesmo tempo, é um pouco triste como estas mulheres lutaram tanto e não conseguiram ter o seu final feliz. Assim, a mudança que eu faria a este final seria deixá-las vivas, refugiadas na América Latina do franquismo, e o Óscar e a Carlota adotavam o miúdo (acho que era órfão) que estava no comboio. 

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18. Uma série que quero assistir.

La Legge di Lidia Poët. É uma série italiana sobre a primeira mulher advogada de Itália, baseando-se em factos verídicos. Parece ser super interessante e gostava de ver quando o meu nível de italiano me permitisse ver a série com legendas em italiano. 

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19. Uma série com que aprendi uma língua.

Madre Solo Hay Dos. É uma série mexicana sobre duas mulheres que dão à luz no mesmo hospital e as bebés são trocadas. Após alguns meses, o hospital apercebe-se do erro e avisa as famílias. Tendo em conta que as mães já estavam muito agarradas às bebés uma da outra, a Mariana vai viver para a casa da Ana com a sua filha. Eu vi a série com legendas em espanhol e mais de metade do vocabulário e slang mexicano que sei é por causa desta série - "Neta" significa verdade, "fresa" significa morango e beto, "padre" significa fixe e "qué pedo?" significa que peido e como estás. Estranho, eu sei ahah

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20. Final de série preferido.

The Good Place. Tem um final agridoce, mas é isso que o torna especial. Eleanor morre e é enviada para o "Lugar Bom", o "Céu"/"Paraíso", um lugar destinado às pessoas que praticaram o bem durante as suas vidas. Cada pessoa lá tem uma alma gémea. Mas há um problema - ela não merece lá estar. Então, tenta tornar-se boa pessoa para merecer o seu lugar lá. É uma série super filosófica, faz-nos questionar acerca da vida pós-morte. Também aborda um tema do qual eu já tinha refletido - estando no Paraíso eternamente, eventualmente fartamo-nos, não? E como lidamos com isso? 

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Perdão pela quantidade de vezes que disse série nesta publicação. Estão à vontade para também responder a esta tag (inventei umas perguntas e fui buscar outras a outros blogs), se quiserem, nos vossos blogs ou nos comentários. Beijinhos <3

26
Set25

O Amigo Americano, Patricia Highsmith

★★★★★

O Amigo Americano foi o primeiro romance policial sem ser da Agatha Christie que li. E não desiludiu, pelo contrário. Eu adoro os policiais da Agatha Christie, já li imensos e continuarei a ler. É o meu género de eleição, é impossível desiludir-me. 

O Amigo Americano, de Patricia Highsmith,  retrata Jonathan Trevanny, um homem com um cancro terminal que recebe uma proposta: em troca de uma boa recompensa monetária, mata um ou dois mafiosos italianos. Ao contrário dos livros da Agatha Christie, aqui sabemos desde o início quem será o assassino. Eu adorei este livro, o segundo livro de 5 estrelas do ano. Esta obra é ambientada em França e na Alemanha, e as personagens principais são americanas. É o terceiro de uma série focada em Tom Ripley. 

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*fotografia de minha autoria*

É super viciante, queremos sempre saber o que acontecerá a seguir. Tal como qualquer bom romance policial, temos alguns plot twists maravilhosos. Deparamo-nos com os dilemas morais de Jonathan: matar mafiosos italianos, gente perigosa que também não merece viver (segundo Reeves Minot, que lhe faz a proposta), e receber uma quantia monetária que conseguirá deixar à sua mulher e ao seu filho após a sua morte, ou rejeitar essa proposta e continuar a viver uma vida de miséria. Aparentemente, Jonathan não tem nada a perder - a sua vida já está em jogo pela sua doença terminal. Senti uma grande empatia pelo Jonathan ao folhear as páginas. 

Nesta obra, conseguimos perceber o poder dos boatos falsos e como podem destruir uma vida, literalmente. O livro foca bastante no estado psicológico das personagens, mais concretamente Jonathan e Tom Ripley (quem dá o nome de Jonathan para o assassínio), e gostei muito dessa camada. O fim é de partir o coração. 

Super recomendo a leitura, principalmente se gostarem de policiais. E vocês, já leram O Amigo Americano ou outro livro da autora? 

24
Set25

Receita italiana | bruschetta

Vou viver em Itália durante um semestre. Por isso, decidi aventurar-me em receitas italianas. Comecei por uma entrada, a bruschetta, que consiste em pão torrado com tomate. Supostamente surgiu antes de Cristo, como uma forma dos trabalhadores aproveitarem as sobras do pão duro. Além de ser utilizado como antipasto (entrada), faz também parte do aperitivo (bebida servida com comida - bruschetta, foccacia, arancini, queijos, ...). É uma receita mega simples.

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*a minha bruschetta*

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*a bruschetta do restaurante* (com os tomates inteiros e queijo ricotta)

*fotografias da minha autoria*

Ingredientes:

- pão

- tomate

- azeite

- sal

- manjericão 

- pimenta preta

- dentes de alho

 

Modo de preparação:

1. Corta os tomates em cubos pequenos. Põe numa tigela e adiciona azeite, sal e pimenta preta a gosto. Mistura bem. A cobertura está feita.

2. Corta fatias de pão. Rega o pão com azeite e torra-o na frigideira ou no forno (eu fiz sempre na frigideira). Esfrega os dentes de alho no pão (eu ignorei este passo nas últimas vezes que fiz, esqueci-me, acho que não é muito relevante). Põe a cobertura do tomate no pão e põe folhas de mangericão em cima (eu não fiz isso, porque não tinha folhas de mangericão em casa. Em vez disso, pus mangericão seco na cobertura no início. Mas fica mais bonito em folhas). Está pronto a servir. Bom apetite!

 

Quando fiz a bruschetta pela primeira vez, utilizei esta receita. Na segunda vez que fiz, o pão não ficou bem torrado porque tinha de apanhar o autocarro 😭, trágico. É muito bom, eu pessoalmente não gosto de tomate cru (só cozido) mas aqui na torrada fica maravilhoso, não é tão ácido.

18
Set25

A filha do contador de histórias, Saira Shah

★★★★

Até uma amiga me dar uma pilha de livros que já não queria, nunca tinha ouvido falar neste livro. Debrucei-me sobre ele e não me arrependo de todo.

É um livro de não-ficção que conta a história em primeira pessoa de uma jornalista descendente de afegãos a viver no Reino Unido e as suas viagens ao Afeganistão durante a ocupação soviética, a Guerra Civil e o domínio dos talibãs. 

Ao longo de todo o livro, a autora conta-nos as histórias que o seu pai lhe contava na infância (daí A Filha do Contador de Histórias) e várias lendas sobre o Afeganistão.

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*fotografia de minha autoria*

Eu nunca tinha lido um livro sobre este país, então foi uma ótima oportunidade para aprender mais sobre a sua história, a sua cultura e as suas tradições. Por exemplo, antes de o ler não sabia que os Estados Unidos tinham primeiramente financiado os talibãs (apesar de não me surpreender).

Tal como já partilhei anteriormente, eu costumo ler ficção e romances, não livros autobiográficos e de não ficção, mas mesmo assim este livro prendeu-me imenso! Está escrito de uma maneira que nos agarra, apesar de às vezes os saltos temporais serem um pouco confusos.

Sem sombra de dúvidas, recomendo o livro! É impossível não aprenderem alguma coisa com ele.

16
Set25

A minha reação às vossas irritações

Há alguns anos, mais concretamente em 2020, pedi-vos que me deixassem as vossas irritações, e eu reagiria numa publicação. Ora, 5 anos se passaram, deixei de publicar cá, entretanto cá voltei e aqui está o post. Nunca é tarde demais haha!

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Começo pelas irritações da Sarin:

Usar muitos guardanapos no café apenas porque estão ali (guardanapos para limpar a mesa, guardanapos para limpar as mãos, para limpar a boca, para fazer rabiscos, grrr, tanto guardanapo!)

Aqui me confesso. Sou esta pessoa (só não faço rabiscos). Em minha defesa, os guardanapos dos cafés são de uma qualidade bastante questionável e, por isso, preciso de usar mais do que a quantidade normal. Eu preciso de pegar na minha comida com os guardanapos, preciso de me limpar. É uma necessidade, não me julguem 😭

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Sanitários sem tampa (a tampa serve para usar ANTES da descarga) e sem lavatório no cubículo (os germes nas portas são colónias excepcionais; a solução é usar papel - mais papel! - para abrir a porta)

Honestamente, isso não me irrita, é um não assunto para mim. 

Pipocas no cinema (além do ruído e da porcaria, tiram o apetite para uma ceia depois do filme :/ E ao tirarem o apetite, tiram o gozo de, no final, sentar a uma mesa a discutir o filme entre amigos)

Uma vez, há alguns anos, fui ao cinema com umas amigas e comprei pipocas. Não comia pipocas há algum tempo. Credo, nesse mesmo dia descobri que pelos vistos já não gostava de pipocas. Ainda tentei oferecer as pipocas às minhas amigas, sem sucesso. Além do trauma das pipocas, houve o trauma do filme escolhido - fomos ver o Joker e detestei o filme. Valha-me Deus, foi dos piores filmes que vi no cinema. E as minhas amigas e o público riam-se nas partes de "humor", a que eu não achava piada nenhuma, era só deprimente. Entretanto, já comi pipocas depois disto e umas vezes gostei, outras não. Portanto, simplesmente não faço ideia se gosto de pipocas ou não. Especificamente em relação a pipocas do cinema, também não sou a maior fã. Ficamos com as mãos sujas, depois há aquela parte do milho e era um bocado nojento não comer aquilo no cinema. Enfim, um sem fim de problemas.

 

Passo agora às irritações da Sofia:

Pessoas rudes, I MEAN alguém me dê paciência porque eu não consigo lidar com pessoas que simplesmente são rudes só porque sim.

Sim. Não tem necessariamente a ver, mas irrita-me quando as pessoas dizem "Desculpe, ..." a quem está a trabalhar com o público, sem dizerem antes um "bom dia", uma "boa tarde". Não é algo necessariamente rude, mas é um pouco mal-educado e irrita-me  😭

Mentalidades fechadas, tipo não dá. Irritam-me profundamente.

Também a mim. Se demonstram a sua mentalidade fechada ao pé de mim ou fico calada, em absoluto silêncio, porque estou sem paciência para "lutar". Nem sempre temos energia para lidar com este tipo de pessoas. Ou então, vão levar comigo. E a minha argumentação não acaba, portanto é melhor prepararem-se ahah, eu vou sair por cima.

Riscos em resumos ou cadernos. Isto pode parecer meio parvo, mas eu sou extremamente perfecionista, então quando estou a fazer resumo e me engano e tenho de riscar ou usar corretor, não consigo e prefiro recomeçar tudo. Dá-me imensa ansiedade ver aquilo riscado.

Quando a Sofia escreveu isto (2020, estava no meu 9.º ano) eu era exatamente igual. Podia já ter escrito na frente e no verso da folha e lá ia eu começar tudo de novo porque não suportava ver corretor na folha. A quantidade de vezes que eu comecei os meus resumos de novo por causa disto... Neste momento, isso já não me importa e também já não escrevo tanto à mão. Para a faculdade, por exemplo, faço tudo no computador, dá muito mais jeito.

 

Por fim, restam as irritações da Twi:

Irrita-me quando as pessoas pedem a tua ajuda tu ajudas e elas ainda não aceitam o que dizes e acham que aquilo que tu dizes é o incorreto e o que elas sabem é o correto. Na maioria das vezes irrito-me com isso porque as pessoas têm tendência para pedir ajuda quando não sabem e irrita-me quando de repente afinal sabem e já acham que eu não valho a pena e que nem precisam de entender o que eu estou a tentar fazer ajudar.

Super legítimo. Nunca me acontece.

Irrita-me pessoas que chegam super atrasadas e especialmente quando não avisam dos atrasos. I mean... uma coisa é chegar atrasados 5/10 minutos. Outra coisa é chegar 1 hora atrasado e nem dizer nada a ninguém. Fogo, especialmente quando é a pessoa a combinar!

No início, parecia que isto me visava a mim. Sou uma pessoa super atrasada, estou sempre atrasada para todo o lado. Mas os meus atrasos são de no máximo uns 15, 20 minutos. Chego atrasada às aulas (em minha defesa vários professores chegam atrasados meia hora, o que eu acho super irrazoável, e depois habituo-me a também chegar atrasada, mas também há professores pontuais, então lá me lixo ahah). Eu tive um professor que além de chegar sempre atrasado às aulas, chegou meia hora atrasado a um teste, não estou a brincar, é surreal. 

Quando me vou encontrar com alguém chego várias vezes atrasada, porque perco o autocarro. Às vezes a culpa é do autocarro que não aparece, outras vezes é minha porque decido sair de casa 1 minuto antes do autocarro sair. Mas nunca chego atrasada 1 hora, isso é demais. E também nunca levo com pessoas que se atrasam 1 hora, portanto não tenho esta irritação. Mas é totalmente legítima, atrasos de 1 hora são demais.

Irrita-me professores que dão notas consoante os gostos deles. Tiram valores porque não gostam do tema que lhes foi proposto e os temas que eles não gostam, mas deixam o aluno seguir e depois tiram valores.

SIM. Tive uma professora que me deu uma nota péssima precisamente por não gostar de mim (o ódio era recíproco). Eu e a minha amiga propusemos-lhe uma tema super interessante para o trabalho, ela não aceitou. Lá tivemos de pensar noutro tema, e ela lá aceitou. O trabalho estava super bom, sentia-me orgulhosa do trabalho e ela deu-nos má nota, quando a maioria da turma teve boa nota. Tenho a certeza que foi por não gostar de nós.

Irrito-me com desarrumação. Fogo até me dá arrepios!

Confesso que sou uma pessoa bastante desarrumada, mas também me irrita a desarrumação ahah Ou arrumo ou fecho os olhos e vou estudar para outro sítio.

 

Bem, concluímos com esta publicação que muitas das vossas irritações me visam ahah Com outras tantas, também me identifiquei. E vocês, como se sentem? Já estão com urticária só de ler este post ahah? 

10
Set25

A Cor Púrpura, Alice Walker

★★★★★

A Cor Púrpura, de Alice Walker, retrata-nos a vida de duas irmãs negras: Celie e Nettie. Celie, uma menina de 14 anos, é abusada pelo homem a quem chama “pai” e engravida dele. Ele rouba-lhe os filhos e obriga-a a casar com outro homem, que a separa da sua irmã, Nettie. Entretanto, conhece Sugar, amante do seu marido e cantora. 

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*fotografia de minha autoria*

Este romance epistolar é composto por, na primeira parte, cartas de Celie a Deus e, na segunda parte, as cartas entre Nettie e Celie, que se tentam reencontrar. Celie é uma menina pouco alfabetizada, então as cartas dela pautam-se por erros ortográficos, falta de pontuação (falta de aspas ou travessões nos diálogos, por exemplo) e um registo oral. Por outro lado, Nettie é mais alfabetizada e tornou-se missionária, tendo as suas cartas a linguagem correta. Gostei muito desta diferença, de modo a caracterizar melhor as personagens e dar um realismo à história, apesar de no início ter sido um pouco difícil habituar-me a este estilo.

Pela informação que tenho, parece-me que a tradutora fez um ótimo trabalho ao utilizar o português de África para dar voz à Celie, tendo em conta que a obra original se caracteriza pelo Black English. Tornou, assim, a tradução mais autêntica e fiel ao original.

Tal como dá para perceber pela sinopse, trata-se de um livro bastante pesado. Aconselho a leitura apenas se estiverem psicologicamente preparados para ler sobre estes temas de violência doméstica, abuso sexual e separação familiar. Apesar disso, felizmente há um final feliz!

Adorei este livro, trata de temas muito importantes que devem ser abordados pela literatura e não descansava enquanto não o terminasse - queremos sempre saber o que vai acontecer a seguir. Tem também alguns plot twists que obviamente não vos irei revelar. 

Tal como já tinha lido O Diário de Anne Frank e fiquei com curiosidade para ler outros diários, fiquei também com curiosidade para ler outros livros em formato de cartas.

Se já leram este magnífico livro, o que acharam?

08
Set25

As minhas músicas italianas preferidas | parte 1

A música é uma das melhores maneiras de compreender uma outra cultura e de aprender outro idioma. Por isso, tenho ouvido músicas italianas. Aprendo novas palavras, canto letras em italiano, inteiro-me de costumes italianos (spaghetti al dente). A língua italiana é tão linda <3

Assim, vou partilhar com vocês as minhas músicas italianas preferidas! São todas relativamente antigas :)

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Bella Ciao

Quem não conhece a Bella Ciao? A Grândola, Vila Morena italiana. Adoro a música precisamente por ser uma canção de intervenção, um hino antifascista. Caso não saibam, o 25 de abril é também o dia da comemoração do fim do fascismo em Itália. Celebra-se além disso a libertação de Itália da ocupação nazi alemã.

È questo il fiore del partigiano

O bella ciao, bella ciao, bella ciao ciao ciao

È questo il fiore del partigiano

Morto per la libertà

Sàra perché ti amo, Ricchi e Poveri

Esta música apareceu-me no YouTube na altura ideal, quando ainda não tinha começado o meu estudo de italiano. Conquistou-me completamente. Mas tive de ir ver a tradução da letra para perceber que Sarà não significa Sara ahah. Esta música é totalmente viciante, ouvi-a tanto que enjoei da música ahah Foi disco de platina em Itália (com todo o mérito!) Se ouvirem a canção, preparem-se para ser a vossa música n.° 1 até não a poderem mais ouvir. Foi a primeira música italiana (e até agora a única) que analisei.

Stringimi forte e stammi più vicino

È così bello che non mi sembra vero

Se il mondo è matto, che cosa c'è di strano?

Matto per matto, almeno noi ci amiamo

L'italiano, Toto Cutugno

Querem cantar a cultura italiana? Aqui a têm - "spaghetti al dente", "cafè ristretto". Esta música foi apresentada no Festival de Sanremo em 1983, ficando em 5º lugar. 

Lasciatemi cantare

Con la chitarra in mano

Lasciatemi cantare

Sono un italiano

 

Buongiorno Italia, gli spaghetti al dente

E un partigiano come presidente

Con l'autoradio sempre nella mano destra

Un canarino sopra la finestra

Maledetta Primavera, Loreta Goggi

Esta canção é tão poética, com uma letra linda e tocante <3 A primeira vez que a ouvi não tinha entendido quase nada da letra, mas adorei imediatamente! Foi overplayed, mas nunca enjoei dela. Se tivesse de eleger *a* minha música italiana favorita, esta seria a tal. Ela canta isto com uma emoção, com uma força. Já sabem o que ouvir quando chegar a primavera.

Se per innamorarmi ancora

Tornerai, maledetta primavera

Che imbroglio se

Per innamorarmi basta un'ora?

Che fretta c'era

Maledetta primavera?

Non voglio mica la luna, Fiordaliso

Creio que esta é a música mais diferente de todas estas. Ela não pede a lua, só quer paz. Mais uma vez, esta música foi ao Festival de Sanremo (temos aqui um padrão ahah?).

Non voglio mica la Luna

Chiedo soltanto di stare

Stare in dispiarte a sognare

E non stare a pensare più a te

Como não conseguia abordar todas as minhas músicas italianas favoritas numa única publicação, vou trazer-vos uma parte 2 com mais cinco músicas. E vocês, já conheciam estas músicas? De que outras músicas de Itália gostam?

Beijinhos <3

 
04
Set25

O Diário de Anne Frank

Este ano li finalmente O Diário de Anne Frank. Já tinha tido antes vontade de o ler, mas nunca tinha decidido lê-lo, porque tinha receio de ser demasiado pesado e triste. Também o tinha posto de parte por preferir ficção e romances (no sentido de novels) à não ficção. Apesar disto, decidi comprar o Diário de Anne Frank e A Cor Púrpura.

Creio que toda a gente já conhece o livro, mas aqui vai: O Diário de Anne Frank é o diário de uma adolescente judia alemã, que se mudou juntamente com a família para Amesterdão de modo a fugir ao nazismo. Eventualmente, também Amesterdão foi ocupada pelos nazis, e a sua família teve de se esconder num anexo. Infelizmente, eles foram encontrados e levados para um campo de concentração, tendo apenas sobrevivido o pai de Anne que mais tarde publicou o diário dela. 

o diario de anne frank.jpeg

*fotografia de minha autoria*

Os meus receios em relação a este livro não corresponderam à realidade.  Este livro é maravilhoso  - a escrita de Anne é extraordinária, uma mera adolescente consegue captar muito bem a sua situação através da escrita. Ao contrário do que eu pensava, o livro não é pesado. A única coisa mais angustiante é ir vendo as páginas que faltam para o livro acabar, e perceber que o seu fim significa também o fim da vida de Anne. Acabar de ler o livro causa uma certa tristeza ao perceber que o Diário acabou, pois ela foi capturada pelos nazis. E o que ela poderia ter vivido caso isso nunca tivesse acontecido e caso o nazismo nunca tivesse emergido. Tal como qualquer adolescente, ela tinha os seus sonhos e aspirações. Ela queria ser escritora - e que ótimos livros ela teria escrito.

Escrever um diário é uma experiência realmente estranha para uma pessoa como eu. Não só porque nunca escrevi nada antes, mas também porque me parece que, mais tarde, nem eu nem ninguém estará interessado nos devaneios de uma rapariga de treze anos.

O livro não é propriamente deprimente, trata da vida normal de uma adolescente, mas a viver circunstâncias duras, sem poder sair do anexo. Apesar disso, oferecem prendas uns aos outros nos aniversários, têm as suas discussões, os seus problemas familiares. Questiono-me também como ficaria a mãe de Anne ao ler a dor que causava à sua filha retratada no Diário.

Ao ler o Diário, ao ler a vida da Anne no anexo, fiquei com imensa vontade de o visitar em Amesterdão. Espero um dia ter essa oportunidade. Fiquei também com alguma curiosidade em ler mais diários de outras pessoas no futuro.

No que toca à época e às circunstâncias do Holocausto, a Anne expressa algumas vezes o medo de serem descobertos e como outras pessoas já foram descobertos. E lermos os receios dela tornarem-se realidade é algo inquietante.

E vamos sempre combater o fascismo e evitar que histórias como esta voltem a acontecer.

Um beijinho <3

Grândola, Vila Morena

Terra da Fraternidade

O povo é quem mais ordena

Dentro de ti, ó cidade

04
Set25

Um destaque

A minha última publicação, sobre a minha jornada no italiano, foi destacado

Sabe super bem voltar a este cantinho passado vários anos e ser reconhecida com um destaque, muito obrigada :) É o segundo destaque do blog. Foi um post que adorei fazer e em que vos contei como está a ser o meu estudo de italiano até agora. Novas publicações sobre este tema já estão programadas <3

Captura de ecrã 2025-09-04 153646.png

 

02
Set25

A minha jornada no italiano | Erasmus em Itália

Pelo título, já percebem para que país vou fazer Erasmus. Itália! Um de vocês acertou! Tal como eu disse, é  um país que toda a gente conhece (quem não conhece Itália?), nunca lá fui, já estou a aprender a língua e tem uma culinária incrível (quem não gosta de massa, lasagna e pizza?). 

Uma das razões pelas quais eu escolhi Itália foi que queria aprender uma língua nova, mas que fosse fácil de aprender enquanto portuguesa - o italiano é o ideal!

jornada (1).png

Agora resta outra questão: qual é a cidade? Como eu vos disse, quase ninguém conhece esta cidade. Fica no norte de Itália, nos Alpes e só faz parte de Itália desde o século passado! Trento! Não se encontra muita informação sobre esta cidade na internet, muito menos sobre Erasmus lá. Mesmo assim, fiquei encantada com Trento desde que vi nos acordos de mobilidade da minha faculdade e comecei a pesquisar sobre a cidade, e acabei por escolhê-la. Quando começar o meu erasmus, quero falar-vos dessas experiência pela razão óbvia de eu gostar desse tipo de conteúdo, mas também porque há pouquíssimas coisas na internet sobre erasmus em Trento, então pode ser que ajude alguém que depois esteja a ponderar sobre esta cidade! Ao mesmo tempo, há algo de místico em fazer um erasmus numa cidade tão pouco falada e conhecida.

Tendo em conta que vou para Itália, quero obviamente conseguir chegar a um bom nível de italiano. Eu gosto de aprender línguas (sei falar inglês e espanhol), gostava de conseguir falar com os italianos e, além disso, pelo que me disseram, em Trento não sabem falar inglês, exceto os jovens. Ou seja, nas lojas é só italiano. Comecei a aprender italiano no final de junho, quando me vi livre de todos os exames da faculdade. Antes disso, já tinha indo ouvindo algumas músicas italianas, para me ir inteirando culturalmente no país e me ir familiarizando com a língua (ouvia muito Bella Ciao, Sàra perché ti amo dos Ricchi e Poveri, L’Italiano do Toto Cutugno e Maledetta Primavera da Loretta Goggi; posso depois trazer-vos uma publicação com as músicas italianas de que mais gosto).

Antes de tudo, antes de eu sequer ter ponderado no Erasmus (quando estava a aprender espanhol), já tinha visto vários vídeos no Youtube de poliglotas (aconselho-vos a Elysse Speaks - estadunidense a viver na Alemanha, a Eyeylülnim - turca que viveu na Coreia do Sul, a Anna Lenkovska - russa e ucraniana a viver no Reino Unido e a Emi Grace - japonesa-estadunidense a viver no Japão), portanto já tinha algum conhecimento sobre como estudar uma língua de forma autodidata eheh

Quando iniciei o meu estudo de italiano, comecei por encontrar um canal de Youtube de duas brasileiras, o Italiano con le Borges. Elas têm uma playlist de vídeos de Italiano Básico (A1-A2) - o meu nível - e também de Italiano Intermediário (B1-B2). (Não sejam como eu que demorei quase 20 vídeos a perceber que elas eram gémeas, e que não era só uma rapariga. O nome do canal delas é “Italiano con le Borges” e numa das aulas aprendi que le significa “as”, portanto eu questionava-me onde estava a segunda rapariga ahah)

Captura de ecrã 2025-08-31 213417.png

Eu queria ter desde o início alguma imersão sem ser só músicas, portanto decidi ver um desenho animado em italiano, tendo em conta que este formato é mais fácil para iniciantes! Decidi primeiro ver a Ana dos Cabelos Ruivos (ou Anna dai Capelli Rossi), porque já vi a série Anne With an E (têm uma review aqui) que adoro, mas as personagens falavam super rápido! Decidi então mudar para a Heidi (“Heidi, la ragazzina Delle Alpi”) e as personagens falam mais devagar! Vejo no YouTube e descobri também a incrível extensão Language Reactor. Com esta extensão, conseguem ver algo com legendas duplas (no meu caso italiano e português) e podem carregar na palavra para ver uma definição da palavra da vossa Target Language. Esta extensão ajuda imenso, principalmente para quem como eu é iniciante e quer ter alguma imersão linguística. Sempre que há uma palavra que não conheço e que me parece importante, paro o vídeo e aponto-a. Mais tarde, faço flashcards no Quizlet (a publicação não é patrocinada, mas se quiserem aqui estou eu ahahah). Este site/aplicação é maravilhoso, porque além de ter os típicos flashcards também podem jogar jogos com as palavras! Assim, ver a Heidi tem sido ótimo a nível de vocabulário e compreensão oral. 

* eu queria mostrar-vos a Heidi com o Language Reactor, mas infelizmente aquilo agora não tem legendas duplas, não sei porquê. espero que isso se resolva rapidamente*

*vamos ignorar o nome da minha lista de cartões, inspirei-me na música «Sono l’italiano» ahah*

Tal como já conseguiram perceber, os meus principais recursos neste momento são o canal Italiano con le Borges (para vocabulário e gramática), a Heidi (para compreensão oral e vocabulário), o Quizlet para rever todo o vocabulário e as músicas. Numa das minhas sessões de estudo, analisei a letra da música "Sàra perchè ti amo" - escrevi a tradução e apontei algumas coisinhas de vocabulário. De resto, tenho ouvido várias músicas italianas, cantado a letra e indo ver a tradução à internet.

Queria também partilhar com vocês que utilizo o Notion para planear o meu estudo: tenho uma lista dos meus recursos (os principais são os que já vos indiquei), um study log com o que estudei em cada dia de estudo, um planner semanal com o que planeio estudar durante a semana e uma lista do vocabulário que já aprendi até agora.  

Por fim, gostaria de vos dar uma curiosidade sobre o italiano: lei significa ela e lui significa ele. Até aqui tudo normal. Mas o pronome você (formal) italiano é Lei, com letra maiúscula, quer para homens quer para mulheres. Ou seja, lei significa ela e significa você. Achei isto super interessante! (e descobri com o Italiano con le Borges eheh)

Se tiverem dicas sobre aprender italiano ou uma língua geral, partilhem nos comentários ou nas mensagens.

Beijinhos <3

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